quinta-feira, 7 de junho de 2012

Bem me quer; mal, mal, mal, mal me quer



Alguns escrevem para lembrar, outros para esquecer. Prefiro pensar que escrevo para não enlouquecer. Carrego aqui dentro um mundo.  Enquanto todos enxergam flores, eu vejo somente seus espinhos. A rosa, dessa maneira, se separa em pétala e dor, ao invés de se unir em flor.

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Seria menos

"Se eu pudesse usar uma metáfora, diria que abriram a janela do meu peito e tudo de bom saiu voando. Eu carrego só uma jaula suja e escura agora. Se eu pudesse usar uma metáfora, eu diria que tiraram as rodinhas dos meus pés. Eu deslizava pelo mundo. Era macio existir. Agora eu piso seco no chão, como um robô que invadiu um planeta que já foi habitado por humanos. Mas eu não posso usar metáforas porque seria drama, seria dor, seria amor, seria poesia, seria uma tentativa de fazer algo. E tudo isso seria menos."

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Aquilo que se vê



               Sou Juliana. Sou música, prosa e poesia. Sou de essência. Sou de momento. Sou impulso e sou vontade, de abraçar, de falar, de sentir. Sou apego, e disso sou consciente.  Sou emoção instável, sou posição firme. Sou de lua, a crescente, a cheia, a nova. Sou dia e noite, porém mais dia que noite. Sou mais terra que água. Sou ar. Sou o contorno das coisas. 

               Sou cara lavada. Maquiada. Sou cabelo liso, ondulado. Sou cabelo preso, solto. Mal preso sou mais. Sou vestido solto e florido. Sou cores, e muitas! Mas sou preto e sou branco. Sou jeans surrado, sou all star. Sou acessórios. Sou esmalte escuro ou francesinha. Sou brilho, sou opaco.

               Sou cozinha. Sou saladas, grelhados. Sou temperos fortes, marcantes, cítricos. Sou pimenta. Sou comida japonesa. Sou culinária contemporânea. Sou pouco carne. Sou chocolate, ao leite. Sou café. Sou muito sorvete de menta. Sou bala azedinha, e de canela. Sou matte na praia, em casa e no trabalho. Sou cabernet sauvignon, sou brie. Sou apple martini.

               Sou cinema, mas sou pouco TV. Sou Woody Allen e Hitchcock. Sou o pantone de Almodóvar e o não linear do Tarantino. Sou mais o roteiro do que a encenação. De TV: sou GNT, sou National Geographic, sou History Channel. Sou documentário. 

              Sou muito Rio de Janeiro. Sou metrópole, como NY. Mas sou mais Europa. Seria Paris, seria Amsterdam, seria Barcelona e Roma. Sou mais verão que inverno. E mais outono que primavera. Mas sou flores, sou natureza, sou mar. Sou o meu lugar no Jd. Botânico.

              Sou rock’n’roll. Blues. Jazz. Surf music. Sou o pop rock masculino e o indie britânico. Sou Bach. Sou música calminha, acústica. Sou música agitada. Sou menos boate, mais bar. Sou mantras e meditação. Sou minha fé. As minhas crenças. Sou o meu dia de sol, e o meu próprio horizonte.

             Sou olhar. Sou sensibilidade, e sentidos. Sou sublime no banal. E sou sorrisos. Sou o pensar demais, sou o dramatizar também. Sou fragilidade e sou dúvidas. Sou múltipla, inacabada. Sou de instinto também. Mas tento ser razão. Sou delírio, espetáculo. Sou eu mesma.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Né?


- Eu não entendo como alguém pode se apaixonar. As pessoas são cretinas.
- As vezes são, mas olha só todas essas cores nas árvores hoje.
- Sim, e daí?
- Eu acho que é mais legal apreciar uma coisa assim com alguém do que sozinho.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

(Des)encontros


Ora, mas como diz o ditado até que um pássaro pode sim se apaixonar por um peixe. Entretanto, aonde viveriam?

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Que seja doce


                Então é isso, 2011 acabou. O espetáculo terminou e a cortina está fechando. Aplausos ou vaias a parte, te pergunto: - Valeu a pena? Relembrando agora suas new year resolutions de 2010, você fez tudo o que queria? Sorriu o tanto que havia prometido? Estressou-se menos e teve dias mais lights e prazerosos?  Foi mais humano? Mais livre? Doou aquelas roupas que não lhe cabem mais e entrou para a academia que prometia? Mudou a dieta alimentar e largou a gordura trans? Andou menos de carro, comprou mais produtos ecologicamente sustentáveis e passou a se preocupar mais com o ambiente reduzindo o desperdício de água? Não? E os planos de viagem, de trabalhar menos e se dedicar mais a você? Aquele livro ainda continua na cabeceira? Sério?! 

                Então deixo a dica. Em 2012, se entregue. Arrisque. Viva! Desejo que você sorria, mas de verdade, e até sua barriga doer. Que arranje aquele emprego que você sempre sonhou, aquele que vai te dar vontade até de acordar cedo. Desejo que você renove suas esperanças a cada dia do novo ano. Que seus sonhos se realizem e que novos sejam criados. Que você tenha fé, em qualquer coisa. Que nutra amor pelas coisas simples da vida. Que ame um por do sol, que ame um riso de criança, que ame o toque da chuva na sua pele e o cheiro da terra molhada. Desejo que você seja mais generoso com o próximo, que alimente a gratidão em si e que queira fazer o bem, não importando a quem. 

Que você seja muito surpreendido e que surpreenda também. Desejo que você tenha uma vida leve. Desejo boas energias, sempre. Desejo paz, desejo amor, desejo saúde, desejo felicidade. Desejo sorrisos. E tenho certeza que vai ter tudo isso – e se não tiver, a gente inventa. Desejo um amor novo ou um amor velho, mas desejo amor e que ele te faça bem. Desejo que você tenha saudade do que foi bom, que tenha aprendido lições do que não foi tão bom assim, e que nunca abra mão da felicidade. Que nunca deixe de ser quem é também, por nada nem ninguém no mundo.

Eu me comprometo, a não fazer do hábito meu estilo de vida em 2012. O ano já promete antes mesmo de começar. Já tenho projetos, sonhos, desafios, motivações e o melhor de tudo: muita vontade e energia para realizar tudo! Para alcançar que eu consiga conjugar razão e sensibilidade, conhecimento e instinto. Tudo pode dar certo, tudo vai dar certo. O protagonista de um dos últimos filmes de Woody Allen, mal-humorado por si só, diz que as pessoas tornam a vida pior do que é preciso. Farei o contrário, vou tornar tudo melhor do que é preciso. Com menos vaidade e mais prazer. 

Que seja muito bom o que vier, pra mim, pra você, para nós. E um feliz ano novo!