quinta-feira, 5 de abril de 2012

Aquilo que se vê


               Sou Juliana. Sou música, prosa e poesia. Sou de essência. Sou de momento. Sou impulso e sou vontade, de abraçar, de falar, de sentir. Sou apego, e disso sou consciente.  Sou emoção instável, sou posição firme. Sou de lua, a crescente, a cheia, a nova. Sou dia e noite, porém mais dia que noite. Sou mais terra que água. Sou ar. Sou o contorno das coisas. 

               Sou cara lavada. Maquiada. Sou cabelo liso, ondulado. Sou cabelo preso, solto. Mal preso sou mais. Sou vestido solto e florido. Sou cores, e muitas! Mas sou preto e sou branco. Sou jeans surrado, sou all star. Sou acessórios. Sou esmalte escuro ou francesinha. Sou brilho, sou opaco.

               Sou cozinha. Sou saladas, grelhados. Sou temperos fortes, marcantes, cítricos. Sou pimenta. Sou comida japonesa. Sou culinária contemporânea. Sou pouco carne. Sou chocolate, ao leite. Sou café. Sou muito sorvete de menta. Sou bala azedinha, e de canela. Sou matte na praia, em casa e no trabalho. Sou cabernet sauvignon, sou brie. Sou apple martini.

               Sou cinema, mas sou pouco TV. Sou Woody Allen e Hitchcock. Sou o pantone de Almodóvar e o não linear do Tarantino. Sou mais o roteiro do que a encenação. De TV: sou GNT, sou National Geographic, sou History Channel. Sou documentário. 

              Sou muito Rio de Janeiro. Sou metrópole, como NY. Mas sou mais Europa. Seria Paris, seria Amsterdam, seria Barcelona e Roma. Sou mais verão que inverno. E mais outono que primavera. Mas sou flores, sou natureza, sou mar. Sou o meu lugar no Jd. Botânico.

              Sou rock’n’roll. Blues. Jazz. Surf music. Sou o pop rock masculino e o indie britânico. Sou Bach. Sou música calminha, acústica. Sou música agitada. Sou menos boate, mais bar. Sou mantras e meditação. Sou minha fé. As minhas crenças. Sou o meu dia de sol, e o meu próprio horizonte.

             Sou olhar. Sou sensibilidade, e sentidos. Sou sublime no banal. E sou sorrisos. Sou o pensar demais, sou o dramatizar também. Sou fragilidade e sou dúvidas. Sou múltipla, inacabada. Sou de instinto também. Mas tento ser razão. Sou delírio, espetáculo. Sou eu mesma.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Né?


- Eu não entendo como alguém pode se apaixonar. As pessoas são cretinas.
- As vezes são, mas olha só todas essas cores nas árvores hoje.
- Sim, e daí?
- Eu acho que é mais legal apreciar uma coisa assim com alguém do que sozinho.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

(Des)encontros


Ora, mas como diz o ditado até que um pássaro pode sim se apaixonar por um peixe. Entretanto, aonde viveriam?

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Que seja doce


                Então é isso, 2011 acabou. O espetáculo terminou e a cortina está fechando. Aplausos ou vaias a parte, te pergunto: - Valeu a pena? Relembrando agora suas new year resolutions de 2010, você fez tudo o que queria? Sorriu o tanto que havia prometido? Estressou-se menos e teve dias mais lights e prazerosos?  Foi mais humano? Mais livre? Doou aquelas roupas que não lhe cabem mais e entrou para a academia que prometia? Mudou a dieta alimentar e largou a gordura trans? Andou menos de carro, comprou mais produtos ecologicamente sustentáveis e passou a se preocupar mais com o ambiente reduzindo o desperdício de água? Não? E os planos de viagem, de trabalhar menos e se dedicar mais a você? Aquele livro ainda continua na cabeceira? Sério?! 

                Então deixo a dica. Em 2012, se entregue. Arrisque. Viva! Desejo que você sorria, mas de verdade, e até sua barriga doer. Que arranje aquele emprego que você sempre sonhou, aquele que vai te dar vontade até de acordar cedo. Desejo que você renove suas esperanças a cada dia do novo ano. Que seus sonhos se realizem e que novos sejam criados. Que você tenha fé, em qualquer coisa. Que nutra amor pelas coisas simples da vida. Que ame um por do sol, que ame um riso de criança, que ame o toque da chuva na sua pele e o cheiro da terra molhada. Desejo que você seja mais generoso com o próximo, que alimente a gratidão em si e que queira fazer o bem, não importando a quem. 

Que você seja muito surpreendido e que surpreenda também. Desejo que você tenha uma vida leve. Desejo boas energias, sempre. Desejo paz, desejo amor, desejo saúde, desejo felicidade. Desejo sorrisos. E tenho certeza que vai ter tudo isso – e se não tiver, a gente inventa. Desejo um amor novo ou um amor velho, mas desejo amor e que ele te faça bem. Desejo que você tenha saudade do que foi bom, que tenha aprendido lições do que não foi tão bom assim, e que nunca abra mão da felicidade. Que nunca deixe de ser quem é também, por nada nem ninguém no mundo.

Eu me comprometo, a não fazer do hábito meu estilo de vida em 2012. O ano já promete antes mesmo de começar. Já tenho projetos, sonhos, desafios, motivações e o melhor de tudo: muita vontade e energia para realizar tudo! Para alcançar que eu consiga conjugar razão e sensibilidade, conhecimento e instinto. Tudo pode dar certo, tudo vai dar certo. O protagonista de um dos últimos filmes de Woody Allen, mal-humorado por si só, diz que as pessoas tornam a vida pior do que é preciso. Farei o contrário, vou tornar tudo melhor do que é preciso. Com menos vaidade e mais prazer. 

Que seja muito bom o que vier, pra mim, pra você, para nós. E um feliz ano novo!

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

A mesma sinfonia


     No meio da multidão, parada. Sem ver ninguém ou escutar a nada. Absorvida por uma letárgica incapacidade de sair da inércia. Embriagada pela força intocável do universo. Ali, ainda parada.

     Se fosse um filme, eu seria certamente um slow motion em preto e branco ao som de Schubert. Ao redor, o mundo seria o mais colorido da pop art britânica da década de 50. Eles se movimentam, agitados, com pressa e sempre preocupados. Eu parada, ainda sob o som daquele melódico appergione com direito a violoncelo. Com direito a tristeza.

     E a vida passa. Aqui, ali ou em qualquer outro lugar. Eu vazia, continuo parada. Assim, quando o meu tudo, é o nada.

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Não quero mais escrever sobre você, amor.

    Sempre fui avessa às regras, às técnicas de como fazer sei-la-o-que e do step by step de qualquer coisa. Não leio bula de remédio e ainda menos manual de instrução. Motivo que justifica eu ter começado esse texto pelo título. Apesar das inúmeras advertências de todas as minhas professoras de gramática que lembro ter tido. Enfim, comecei.
 
    Eu estava tão certa sobre o que iria botar verborragicamente no papel, que sem qualquer precaução fui logo me adiantando. Sistematicamente, e até com um pouco de mágoa – confesso –, botei lá em cima: não quero mais escrever sobre você, amor.
          
    Desacreditada, um pouco, e por achar tremendamente enfadonho, decidi impulsivamente botar um ponto final nesse tema que só me agrega reticências, vírgulas e interrogações. Ainda mais por todos os relatos terem um toque agridoce daquele satírico “baseado em fatos reais”.

    Fato é, sentada em minha escrivaninha, lápis e papel a postos, título rascunhado, mas a mente vaga. Ih, deu branco. Sobre o que eu ia furiosamente escrever mesmo heim? Oi, Alzheimer, você vem sempre aqui? Então olho para um escaninho abandonado da minha mesa, e lá em seu fundo um livretinho. Eaí, pego?

    Você pode amar plenamente, seu título. Trata-se de uma pequena publicação de um querido amigo de minha família, Frei Clemente – e que Deus o tenha; não quero entrar no mérito da religião por não convir ao momento, mas não iria tirar seus créditos também. Então, ao abrir suas páginas, me deparo com a seguinte frase “O homem não pode viver sem amor, pois sem ele torna-se um ser incompreensível para si mesmo”. Depois disso, só consigo perguntar para mim mesma: - Destino, quer que eu ofereça a outra face agora?

    Mas pudera Juliana, logo sobre isso você se nega a escrever. Era para ser sério? Você ia se boicotar, já tava na cara. Eu sabia, você sabia. Não tem como não falar sobre algo que te possui, que te faz ser quem tu é, bobinha.

    E o amor é isso. É existência e essência. É o mal, é o ideal. É a nossa necessidade, e para outros a vocação. É nossa grandeza, nossa fraqueza. Nosso chão e missão. É a nossa saudade, nosso mistério, milagre. Nossa felicidade.

    Esclarecimentos, por ventura, se fazem necessários aqui. Não falo do amor sentimentalista, de prazeres efêmeros, com instinto descontrolado e de romantismo exacerbado. Até porque hoje em dia, como é fácil fazer o strip-tease do corpo, mas como é árduo desnudar a alma. O amor que tento enaltecer é o comunicar-se, abrindo as portas do coração e deixando o outro – pessoa amada ou não – entrar. É se deixar disponível para a vinda, a presença, a existência.

    É se deixar transcender, criando a relação interpessoal do nós com o universo, ultrapassando nossas barreiras. O amor é escutar, ou melhor, é o ouvir. É romper com a banalidade. É o não invadir, o não exigir, o não impressionar ou fingir. Sem representações também, por favor. É uma comunicação visceral e empática. O amor é ser, existir, viver. Olhando, ouvindo, sorrindo.

    Então tá, por mim, opte a amar e a falar sobre isso. Transforme, vença, contemple, experimente, encontre, encoraje-se, aceite, aprenda, encare e descubra. Abrace, desapegue-se, acolha. Viva. Modéstia ousadia a parte, enquanto eu puder, conseguir e querer acreditar vou discordar de você, tá Schopenhauer? Pra mim o amor, ainda, é importante, porra.